Se o seu ICP cabe em um slide, ele provavelmente está errado — e caro.

 

O clássico cenário: a liderança define um ICP que parece sofisticado… mas ninguém no time consegue usá-lo para decidir quem priorizar amanhã.

Pior: marketing persegue um tipo de conta, vendas quer outro, produto pede um terceiro — e todos juram estar “alinhados”.

Startups SaaS gastam 6 meses refinando ICPs perfeitos enquanto perdem 80% dos deals por desalinhamento. Gartner alerta: 70% dos ICPs falham na execução, não na definição.

O resultado? Pipeline inflado. Conversão baixa. Crescimento imprevisível.
E uma crença confortável: “o problema é falta de lead”. Não é.

A raiz do desalinhamento não está em incompetência — está na lógica estrutural das empresas.

  1. A pressão do TAM inventado

A liderança promete mercados gigantes a investidores. Para justificar, “esticam” o ICP.
Quanto maior o ICP, menor sua utilidade prática.

 

  1. Cada área enxerga só 10% da realidade
  • Produto olha feature gap.
  • Marketing olha dados incompletos de intenção.
  • Vendas olha apenas o recorte de contas que vieram do inbound ou prospecção atual.
  • CS herda a bomba.

Ninguém está totalmente errado.

Todos estão parcialmente certos.

O sistema é que está quebrado, trabalhando em silos.

 

  1. Firmografia não prevê comportamento

Setor, tamanho e receita dizem o que uma empresa é.

Não dizem como ela decide, compra ou muda.

Empresas “parecidas” no papel podem ter apetite zero para inovação. Outras, teoricamente pequenas, estão em modo agressivo de transformação.

Prioridade real: identificar semelhanças comportamentais, não categorias estáticas.

O erro que os times cometem: tratar ICP como foto — quando ele é, por natureza, um filme. ICP vira planilha estática. Vendas vê como “sugestão”, não lei.

Erro de modelo mental: Entender o ICP como target genérico, ignora a jornada de compras específica em função de fatores comportamentais e situacionais.

A McKinsey aponta: 62% das falhas ABM vêm de silos entre Vendas e Marketing.

Análise e Correção do Problema

  1. Causa → consequência

Causa:

  • ICP expandido + sinais fragmentados + falta de alinhamento e incentivos desalinhados.
  • Tratar ICP como estático, não um playbook vivo.
  • ICP Desalinhado
    • Marketing foca firmografia (tamanho, setor)
    • Sales prioriza persona + dor imediata
    • Resultado: 55% das contas ABM “ICP” nunca viram demo (Winning by Design)

 

Consequência: pipeline inflado com negócios que nunca deveriam existir.
Impacto:

  • Energia gasta em contas erradas
    • engenharia gastando meses em features para clientes extremos
    • CS consumindo horas em contas que vão churnar
  • CAC disfarçado, LTV deteriorando
  • Baixa previsibilidade
  • Ciclo comercial alongando

 

  1. O que realmente funciona

A correção não é “refinar o ICP”.

É recriar o modelo mental:

De “quem parece bom” → para “quem além de parecer bom, demonstra comportamentos e condições reais de compra”.

A Forrester e a McKinsey já mostram isso há anos: previsibilidade vem de comportamento, não de categoria.

Play central:

  • mapear fatores estruturais, comportamentais e situacionais em camadas.
  • sintetizar sinais dispersos.
  • priorizar contas com probabilidade real de movimento, não com “fit teórico”.

Co-criar ICP com Vendas via workshop semanal. Integre scoring ABM (fit + intenção).

 

  1. O que parar de fazer imediatamente
  • Tratar ICP como lista rígida de dados firmograficos.
  • Usar intenção genérica como proxy de compra.
  • Priorizar contas só porque “parecem grandes”.
  • Ignorar feedback de lost deals
  • Forçar volume para compensar conversão ruim.
  • Esperar que vendas corrija uma segmentação quebrada.

 

Resultados Esperados

Antes:
Uma scale-up SaaS com ICP “de slide”: setor X, 200+ funcionários, receita Y.
Marketing gerava 600 MQLs/mês.
Conversão: 0,8%.
Pipeline sempre “bonito”, previsão sempre errado.

Ajuste (movimento GTM/ABM):
Reestruturaram o ICP com base em:

  • imperativos estratégicos identificados em earnings calls
  • padrões de contratação
  • tempo de liderança no cargo (indicador de apetite à mudança)
  • gatilhos situacionais externos

Criaram uma camada de síntese para correlacionar esses sinais.

Depois:
→ Volume de contas-alvo caiu 62%.
→ Conversão subiu para 4,1%.
→ Ciclo reduziu 23 dias.
→ Previsão bateu 3 trimestres seguidos.
Nenhum milagre. Só seleção correta.

 

FRAMEWORK PRÁTICO (APLICÁVEL AMANHÃ)

Checklist: ICP Realista em 9 Perguntas

  1. Co-criação do ICP (Marketing, Vendas, CS)
  2. Feedback loop: Pós-lost deal, atualize ICP em 48h.
  3. Qual mudança estratégica recente indica que essa empresa precisa agir?
  4. Os padrões de contratação reforçam esse movimento?
  5. Quem está na liderança e há quanto tempo?
  6. Essa conta já adotou tecnologias semelhantes?
  7. O que ela comunica publicamente sobre prioridades?
  8. Existe um evento-gatilho situacional ativo?
  9. Qual é o custo da inação para ela?

 

Movimento-chave que muda tudo

Troque “parece bom” por “tem energia de mudança verificável”.

 

Conclusão e Direção Estratégica

  • ICP desalinhado não causa só ineficiência.
  • Ele causa ilusão de crescimento.
  • E empresas que compram a própria ilusão quebram previsibilidade — e previsibilidade é o ativo mais valioso do GTM.

Mini-ação: revise seu ICP atual e marque em vermelho tudo que é opinião. Em azul, tudo que é comportamento observável.

Pergunta crítica:
Quantos pontos do seu pipeline de hoje desapareceriam se você removesse as contas que nunca tiveram intenção real de mudar?

Lição

  • 70% das startups SaaS morrem por execução ICP fraca (Forrester)
  • ICP é comportamento, não categoria.
  • Pipeline forte começa antes do primeiro lead: começa na seleção da conta.
  • Os leads que importam são só os que participam do comitê de compras das contas alinhadas ai ICP.
  • Volume não compensa desalinhamento — amplifica.

 

 

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ICP de Slide: Como Empresas Criam Pipeline Bonito, CAC Alto e Previsão Errada
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